Qual foi o impacto da chuva de 11/01/ 20011 na criação artística da região serrana do Rio?
A maior tragédia de nossa
região causou perdas e sofrimentos indizíveis. Mas, e quanto ao impacto daquela
loucura toda na arte local? Fico me perguntando, quantas
pessoas procuraram em seus instrumentos, uma forma de lidar com aquele
momento?
Na Camerata Violétrica,
pelo menos duas canções foram, de certa forma, fruto das chuvas de 2011.
Uma é "Aos
Seus". Composta por Rafael Monteiro, um dia ou dois após o fatídico dia. A
canção, apesar de não falar exatamente desse fato, acabou refletindo o clima de
abandono e revolta daquele momento: "Chamam-me bobo da corte/ faço do caos
a canção...", "Sei que vou ficar pra ver/ quem quiser viver verá...".
Esta música está em processo de gravação e em breve vai pintar aqui no blog.
A outra filha da chuva é
"Verde Virá". Ao contrário da letra amargurada da canção anterior, a
música composta por Yuri Ribas lança um olhar de esperança sobre o futuro após
a catástrofe, “já que o verde virá ao final da estação”. Apesar de, em um breve
momento, transparecer a inevitável sensação de desolação, (“mas no mês de
janeiro a fé caiu por entre os meus dedos.”) a letra busca refletir sobre a necessidade
de reconstruir a vida após as águas de janeiro.
Confira "Verde Virá" neste link:
Verde Virá
(Yuri Ribas)
Verde
A esperança quis falar
E fez do meu peito abrigo
Coroada encontrou no amor espelho
E intima, fez-me amigo
Da aurora
Revela a vida na escuridão
Verde
Foi como a serramar
E a margem dos seus rios
Que correm sinuosamente para o mar
E levam um pouco mais de alívio
Aos lábios
Que clamam aos céus por um pouco de paz
Mas no mês de janeiro
A fé caiu por entre meus dedos
Me alegra saber
Que há refúgios de paz aqui
E que não há o que temer
Já que o verde virá
Ao final da estação

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